Homeopatia e cia

Um blog do site 'Portal de Homepatia'

Considerações sobre a Homeopatia e o profissional homeopata.

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Há muito venho pensando sobre a Homeopatia e os profissionais que a exercem.

E ultimamente tenho chegado à algumas reflexões que tenho interesse em dividir com outros, tanto para saber outros pontos de vista sobre estas questões, como para iniciar discussões sobre elas.

Começo fazendo a observação de que a Homeopatia, em si, não tem sujeito, é um campo de estudo e de aplicação, como vários outros.

Quem tem um sujeito é a clínica homeopática.

Podemos tecer loas, divagar, fazer teorias e modelos em cima da Homeopatia, mas a clínica homeopática está em outro patamar.

Ela deveria ser exercida de uma maneira geral por profissionais preparados e no particular  por especialistas bem preparados, de modo que os dois, o generalista e o especialista, divulgassem a Homeopatia e deixassem seus consumidores (pacientes) satisfeitos.

E sem que seus clínicos, por exemplo, muitas vezes tenham a sensação de que estão pulando com “um paraquedas quebrado de um avião ser rumo” (ou com vários) e acabem escolhendo que linha homeopática seguirão pela facilidade de aplicação, e não por sua eficácia e outras adequações.

O profissional da saúde homeopata, seja aquele que prepara o medicamento, seja aquele que o receita em uma prescrição, é o sujeito com que deveríamos nos preocupar com muito mais cuidado e lógica do que fazemos.

Alguns dirão que as escolas sempre fizeram isso, e eu rebaterei dizendo que esta afirmação não exatamente corresponde a verdade.

Na realidade sempre estivemos mais preocupados com a difusão de uma Homeopatia de qualidade através dos profissionais que faziam nossos cursos de formação, e muito menos preocupados com uma formação mais sólida dos profissionais homeopatas enquanto indivíduos. Para ser mais clara, formávamos e formamos clínicos para bem tratar indivíduos, mas não indivíduos-clínicos para bem tratar outros indivíduos ou grupos deles.

Sintomaticamente, quando se fazia afirmações deste tipo, a resposta sempre era que o ônus disso eram das faculdades, não nosso. Como se anos de “automação” em faculdades pudessem ser apagados por três anos de curso teórico e X horas de ambulatório. Sendo que este ambulatório, na maioria das vezes, era assistido e não praticado.

Senhores, esperar que algo mude neste campo, para que daí se melhore o nível de nossos profissionais homeopatas, é uma falácia e uma ilusão perigosa.

Os profissionais de saúde do Brasil estão com problemas de formação, e a clínica homeopática, por melhor que seja enquanto terapêutica, não escapa desse panorama.

Nós sempre tivemos dois tipos de curso: de formação e de informação.

Os cursos que sempre foram criticados por sua qualidade, na realidade, poderiam ser tachados como sendo de informação: passavam informações sobre a Homeopatia o suficiente para terem noções sobre ela. Não o suficiente para clinicar o indivíduo, mas o suficiente para o clínico tratar algumas doenças.

Eu sempre acreditei que os cursos de formação em Homeopatia fossem suficientes para formar profissionais competentes para clinicar o indivíduo, bastando para isso que seus ambulatórios fossem de qualidade. Hoje eu tenho certeza que não.

Temos que ter três tipos de cursos: de informação em Homeopatia, geral; de formação em Homeopatia, para clínicos não-especialistas; e de formação de clínicos e farmacêuticos homeopatas, que formem especialistas.

E justifico:

De informação em Homeopatia – queremos que os vários profissionais que nos rodeiam saibam o que fazemos. Se vão fazer mau uso do que aprenderam, não é da competência da instituição de ensino. Mesmo por que alguns cursos não-médicos estão por aí para provar que é uma preocupação inútil. Este tipo de curso deveria ser uma fonte de rendas para as entidades.

De formação em Homeopatia, para não especialistas – há várias e inúmeras situações em que serão úteis, mas não formarão especialistas. Mas daí sairiam profissionais para prover a saúde pública, por exemplo.

De formação de clínicos e farmacêuticos homeopatas especialistas – este seria nossa “menina dos olhos”.

Poucos alunos, formação basicamente em ambulatórios, acompanhamento constante de casos, para que adquiram, junto com o conhecimento, prática, experiência e confiança no que fazem.

Esta posição inclusive teria a vantagem de desarmar o argumento de que “estamos roubando a Homeopatia do povo”. Nossa proposta não seria “ensinar o povo”, mas ensinar aos clínicos e farmacêuticos, ter um curso de formação de especialistas médicos, veterinários, dentistas, agrônomos e farmacêuticos.

E creio que esta última categoria de curso, a de especialistas, é que deveria ser a prioridade das Entidades Formadoras. Inclusive por que visariam também a formação de docentes para este e para as outras modalidades de cursos.

Como viabilizar, como fazer as federadas menores proporcionarem este tipo de formação em seus estados, etc, é uma grande questão a ser discutida.

Nestas colocações está implicada, e também explicitada, minhas visões de mundo e de ciência.

Porque podemos muito tecnologicamente, mas muitos, demais, morrem por banalidades. Nunca tivemos tantos aparatos diagnósticos e de tratamento, que estão longe da maioria da população.

Aliás, como sempre foi ao longo dos séculos a medicina de alto nível.

Muito se avança em modelos epistemológicos, mas continua-se sem perceber que são as teorias em ciência que serve aos fenômenos e não o oposto.

Um exemplo disso: continua-se sem perceber que a melhoria da qualidade do clínico homeopata não depende de se provar ou não que “a Homeopatia funciona”. E isso é grave. E é grave por que estas atitudes indicam igualmente um culto ao cientificismo vigente que assusta, feito por quem acredita piamente que assim está “combatendo” os famosos “céticos”…

E é a outra face da mesma moeda.

A discussão sobre “mecanismos de ação do medicamento homeopático” é necessária, porém deve ser feita pelos estudiosos da Homeopatia com os “barões da ciência” contemporânea.

E não tem, não pode ter, uma relação direta com a grande massa de clínicos homeopatas e com a população.

Toda vez que vejo programas de rádio, televisão, debates, etc, em que estão um clínico homeopata comum, competente, mas não-acadêmico, e um “barão da ciência”, este geralmente de alguma universidade, sei que vai ser um massacre. E como poderia ser diferente?

Temos que enxergar que embate de saberes deveria ser entre representantes gabaritados destes saberes, senão teremos que admitir que nós mesmos realmente tratamos a Homeopatia como se fosse iluminação divina.

O que os clínicos homeopatas deveriam ter é o conhecimento de sua especialidade, para fazerem uma boa clínica e se defenderem de ataques banais.

A população deveria aderir cada vez mais ao tratamento com Homeopatia por que os clínicos são competentes, e não por que “existiriam trabalhos científicos provando que a Homeopatia funciona”!

Num caso é a prevalência da competência.

No outro, é o mesmo culto ao “cientificismo” de sempre.

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Publicado às 30 de setembro de 2011 por em artigos, clínica homeopática, profissional homeopata e marcado , , , .

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